quinta-feira, 10 de maio de 2012

Empresário comete suicídio para que família receba seguro de um milhão de reais

Investigações apontam que o empresário teria forjado um possível assassinato para que a sua família pudesse receber um seguro de vida no valor de um milhão de reais


Foto: DP de Barra do Ribeiro
O Delegado de Polícia Luis Ricardo Bykowski dos Santos, Titular da Delegacia de Polícia de Barra do Ribeiro, fez a entrega ao Poder Judiciário do Inquérito Policial que investigou a morte do empresário catarinense Patrício Siqueira, fato ocorrido na citada cidade no dia 01/04/2011, por volta do meio-dia.

Colecionador de armas e praticante de tiro, o empresário natural de Santa Catarina, mantinha na cidade interiorana uma empresa comercial dedicada a compra e venda de arroz. No dia 01/04/2011, uma funcionária o encontrou baleado no escritório da empresa e com a arma de uso pessoal dele, uma pistola semi-automática TAURUS, Cal 380, no chão e próxima ao corpo, estando esta engatilhada e com sinais de uso recente.

Patrício era apontado como uma das principais testemunhas de um processo em andamento na Justiça Federal de Santa Catarina e que tratava do rumoroso escândalo financeiro ocorrido no ano de 2008 e relacionado a falência da Campeiro Produtos Alimentícios Indústria e Comércio LTDA, com sede na cidade de Tubarão/SC, fato que acarretou grandes prejuízos a produtores rurais gaúchos e catarinenses.

Os policiais que trabalharam no caso inicialmente elencaram algumas linhas de investigação, inclusive a de que o empresário tivesse sido morto como “queima de arquivo”, mas durante o trabalho policial outros aspectos sobre a vida pessoal do empresário foram sendo descobertos e acabaram por afastar a tese inicialmente elencada. A investigação teve desdobramentos em Santa Catarina e até nos Estados Unidos, eis que um das pessoas inicialmente consideradas suspeitas é réu no Processo Judicial que apura o já citado escândalo financeiro, estando tal pessoa atualmente residindo no pais localizado na América do Norte. Um dado considerado de fundamental importância pelos investigadores foi o fato de Patrício haver sido encontrado ferido no escritório da empresa com a mão esquerda e ambos os pés atados por abraçadeiras de nylon, estando o corpo preso na cadeira tipo diretor que a vítima usava no trabalho, mas o que mais intrigou aos policiais é que mão direita foi mantida solta.

Durante o inquérito foi descoberto que o empresário era destro, ou seja, usava a mão direita para empunhar suas armas de fogo, sendo a vítima conhecida como sendo um exímio atirador. Outros aspectos também chamaram a atenção dos investigadores estava o fato de que ao ser socorrido, o falecido se encontrava com uma fita adesiva colada por sobre a boca; no interior da empresa nenhuma outra pessoa foi encontrada e não havia sinais de violência ou arrombamento, bem como todas as portas do estabelecimento estavam trancadas; além de um aparelho de TV, localizado na sala de recepção da empresa, estar ligado e com o volume bastante elevado, levando esta última constatação a conclusão de havia o real objetivo de encobrir o barulho dos disparos da arma de fogo. O laudo elaborado pela perícia concluiu que o local do evento morte não apresentava indícios de luta corporal e nem foram localizadas digitais de outras pessoas, o que reforçou uma das linhas de investigação, a possibilidade do suicídio.

Contando com apoio da Polícia Civil Catarinense e da Polícia Federal, o Delegado Ricardo conseguiu descobrir que o empresário estava bastante endividado. A investigação também descobriu que vários bens de Patrício, inclusive o carro e a casa da família em Tubarão, haviam sido repassados ou registrados em nome de uma outra pessoa, eis que o empresário estava sem crédito. Apontou-se ainda, que a vítima havia feito um seguro de vida no valor de um milhão de reais apenas dois meses antes da morte, tendo como beneficiários a esposa e o filho.

O empresário estava sofrendo um grave quadro depressivo em razão da situação financeira precária, fazendo tratamento com uso de forte medicação anti-depressiva, aspectos que fizeram a hipótese do suicídio ganhar força. Os peritos-médicos concluíram que dois projetis de arma de fogo transpassaram o coração da vítima e efetivamente foram a causa da morte do empresário, sendo ambos os disparos dados com uma arma de fogo encostada no corpo de Patrício, da frente para trás e com a direção da direita para esquerda, com orifícios muito próximos um do outro, desfecho que definitivamente apontou para o suicídio de um destro.

Os laudos periciais e os documentos juntados ao procedimento policial levaram também a conclusão de que a tentativa do empresário era forjar a própria morte, tendo por objetivo que a família recebesse o prêmio do seguro de vida de um milhão de reais, assim as dívidas seriam pagas e a esposa e o filho ficariam com uma boa situação financeira. Segundo o Titular da DP/barrense, Delegado Ricardo, ao se manifestar sobre a investigação realizada declarou: “foi o caso mais surpreendente com que me deparei em vinte e oito anos de profissão, a conclusão a que chegamos foi realmente inusitada”.
Fonte: DP de Barra do Ribeiro

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